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Com quarentena, apps de entregas são oportunidade para trabalhadores e comércios

Pedidos de comida por delivery aumentaram 77% nas duas primeiras semanas de março; simultaneamente, o número de entregadores e restaurantes cadastrados em aplicativos também cresceu

Lojas, restaurantes, comércios e até prestadores de serviços viram sua clientela sumir desde que a quarentena foi decretada em diversas cidades e estados para conter o avanço do coronavírus no Brasil. Estabelecimentos precisaram baixar as portas ou paralisar os atendimentos, ainda que temporariamente, já que uma das principais orientações das autoridades é que as pessoas fiquem em suas casas. Por outro lado, há quem viu sua demanda subir (e muito) exatamente por esse motivo: aqueles que trabalham com entregas.


A necessidade de isolamento e as ruas vazias fizeram com que mais pessoas passassem a pedir coisas por meio do chamado "delivery". O aumento da demanda, segundo empresas especializadas, foi desde comida pronta e compras de supermercado até itens para pets. Por outro lado, comércios viram as entregas como uma forma de continuar funcionando. No final dessa ponta estão os profissionais autônomos, que também perderam a clientela nesse período e encontraram uma oportunidade de renda fazendo entregas por meio de apps como Rappi, UberEats e iFood. Um estudo feito pela Corebiz, empresa de inteligência para marcas do varejo, mostrou que a receita das compras por delivery no segmento alimentício cresceu 77% entre os dias 1º a 18 de março, em relação ao mesmo período de fevereiro. Segundo a pesquisa, o pico veio a partir do dia 16. Agora, a previsão é fechar o mês de março com crescimento de 32%, em média, em relação a fevereiro e de 46%, em relação a março de 2019. Aumento de pedidos e de profissionais Esse aumento foi percebido em diferentes empresas. O James, serviços de entregas do Grupo Pão de Açúcar, viu o número de pedidos crescer 50% na semana do dia 15 a 21 de março, quando começou o isolamento, em relação aos sete dias anteriores. No mesmo período, a quantidade de entregadores registrados na plataforma cresceu 35%.


A Eu Entrego, empresa que conecta supermercados e lojas a profissionais autônomos que querem trabalhar como entregadores (usando seus próprios carros de passeio para isso), registrou um aumento no número de demandas dos seus clientes do setor de supermercados.


Ainda na segunda semana de março, as entregas quintuplicaram, saindo de 3 mil, antiga média semanal, para 15 mil. Antes da pandemia, a empresa registrava o cadastro de 150 novos motoristas por semana. Agora, cerca de 1.800 novos profissionais têm se cadastrado.


No HomeRefill, aplicativo que funciona como uma assinatura de entrega de itens de supermercado também houve alta. Segundo a empresa, foram feitos 4,6 mil pedidos em fevereiro e cerca de 9,1 mil pedidos em março e a projeção para o crescimento nos próximos dois meses é de 200%.


O iFood não abre esses dados, mas também percebeu uma alta tanto no número de pedidos, quanto no número de restaurantes e entregadores cadastrados. Diego Barreto, diretor financeiro da companhia, destaca que a empresa não tem permitido a entrada em massa de novos entregadores. Isso porque, um processo como esse, diluiria os ganhos daqueles já cadastrados. "Não podemos colocar todo mundo de uma vez, porque se depois não há uma alta tão forte da demanda, eu diluo o dinheiro da entrega", afirma.


O mesmo acontece com o Eu Entrego. Segundo Vinícius Pessin, presidente da companhia, o cadastro de novos entregadores só é feito quando a região que ele atende tem uma demanda suficiente para permitir que os entregadores tenham uma receita diária de R$ 180 a R$ 240.

Ajuda aos trabalhadores e comércios

Mesmo que a demanda por entrega tenha crescido, a receita dos estabelecimentos tende a ficar menor, segundo Barreto, do iFood. "Imagine um trabalhador que tomava café da manhã em uma padaria e almoçava em um restaurante todo dia. Agora, trabalhando de casa, ele vai fazer comida. Pode até pedir com mais frequência, mas isso não faz superar a receita que o estabelecimento tinha com as portas abertas", afirma.


Uma prova de que esse comportamento pode já estar acontecendo é o aumento do uso de cartões de benefícios em supermercados ao invés de restaurantes. Segundo um levantamento da VEE, empresa de gestão desses cartões, houve uma alta de 87% na utilização do benefício em mercados. Ao mesmo tempo, houve uma queda do consumo em restaurantes.


Por isso, a empresa lançou mão de algumas estratégias para dar um suporte financeiro aos estabelecimentos. Uma delas é a antecipação dos recebíveis. Antes, os restaurantes demoravam cerca de 30 dias para receber pelos pedidos feitos no app. Agora, serão sete dias. Além disso, a comissão que os restaurantes pagam para o aplicativo (que é, inclusive, o que gera a receita do iFood) também foi cortada para alguns estabelecimentos.

"Selecionamos 132 mil restaurantes em 1 mil cidades brasileiras pra dar esse desconto. A grande maioria deles são estabelecimentos menores, familiares, locais", afirma o executivo.

A empresa também criou um fundo de R$ 1 milhão para dar suporte aos entregadores que precisem ficar em quarentena por conta da doença. Segundo o iFood, o trabalhador receberá do fundo um valor baseado na média dos seus repasses nos últimos 30 dias, proporcional aos 14 dias de quarentena.

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